A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) anunciou a abertura de 25 novos leitos no Pronto-Socorro de Rio Branco e a criação de um conselho de monitoramento para acompanhar ocorrências nas unidades estaduais. As medidas vieram após a morte do paciente João da Costa Souza, internado em estado clínico delicado, com desidratação.
Por causa da superlotação, o paciente chegou a ser acomodado em uma maca extra. Depois, foi transferido para a sala vermelha, intubado e submetido a diálise.
O que dizem a secretaria e a equipe médica
“Nós montamos um conselho de monitoramento para averiguar esse caso”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, José Bestene. Ele reconheceu a lotação da unidade: “Os leitos estão preenchidos. Há pacientes nos corredores, mas eles estão sendo assistidos”.
A médica clínica-geral Mariana Casola declarou que “o paciente, quando deu entrada no setor de observação adulto, foi prontamente atendido” e que “tudo o que poderia ser feito pela equipe foi realizado”.
Leitos que enchem em duas semanas
O dado mais revelador do problema é outro: 23 leitos haviam sido abertos recentemente na unidade, e a lotação máxima voltou a ser atingida em cerca de 15 dias. Isso indica que a pressão sobre o Pronto-Socorro não se resolve apenas com a ampliação de leitos na porta de entrada.
A superlotação de prontos-socorros costuma ter três causas combinadas: atenção básica insuficiente, que faz o paciente procurar a emergência por um problema que poderia ser resolvido na unidade de saúde do bairro; falta de leitos de internação, que trava a saída do paciente já atendido; e concentração de serviços na capital, que atrai a demanda de todo o estado.
Interior na conta
É esse terceiro fator que atinge diretamente municípios como Tarauacá. Sem determinados serviços disponíveis na rede local ou no polo regional, o paciente é transferido para Rio Branco, ampliando a fila da capital e afastando a família do doente.
A Sesacre citou como avanços recentes a implantação do serviço de ressonância magnética no Alto Acre e a realização de 120 cirurgias no Hospital Geral de Feijó, ações que seguem a lógica de levar procedimentos para fora da capital.
O conselho de monitoramento anunciado deve acompanhar ocorrências nas unidades estaduais e apurar casos como o que motivou a medida.
Com informações do ac24horas e do Portal Acre.
