A cúpula do Brics foi realizada em Nova Déli, na Índia, com o primeiro-ministro Narendra Modi como anfitrião. O encontro reuniu chefes de Estado e de governo dos países do bloco e produziu uma declaração conjunta com 140 pontos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, participou do evento e fez um apelo direto: “De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até a Ucrânia, o Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz”.
Um bloco de onze países
O Brics reúne hoje onze integrantes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.
Juntos, esses países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global — números que explicam por que o bloco se tornou um dos principais espaços de articulação fora das instituições tradicionais lideradas pelos Estados Unidos e pela Europa.
Estiveram presentes o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan.
Economia e Oriente Médio
O presidente chinês, Xi Jinping, defendeu o aprofundamento dos laços econômicos entre os países do bloco, tema recorrente nas cúpulas recentes, em que se discutem comércio em moedas locais, financiamento pelo Novo Banco de Desenvolvimento e redução da dependência do dólar.
Com Irã e Emirados Árabes Unidos entre seus membros, o Brics também apelou por calma no Oriente Médio, em meio à escalada de tensões na região que já afeta o transporte de petróleo pelo Mar Vermelho e pelo Golfo.
Por que interessa ao Brasil
Para o Brasil, o bloco é uma das principais vias de acesso a mercados compradores de commodities agrícolas e minerais. China e países árabes estão entre os maiores destinos da carne bovina brasileira — inclusive da produção do Acre, que ampliou suas exportações em 2026.
Decisões tomadas nessas cúpulas sobre acordos sanitários, financiamento e logística de comércio costumam demorar a aparecer no noticiário local, mas se refletem, meses depois, no preço da arroba e no volume de embarques dos frigoríficos da região.
Com informações da Agência Brasil.
