Feijó e Tarauacá concentram 45,5% dos focos de calor registrados no Acre em 2026

Feijó e Tarauacá concentram 45,5% dos focos de calor registrados no Acre em 2026

Os municípios de Feijó e Tarauacá respondem, sozinhos, por quase metade de todos os focos de calor detectados no Acre em 2026. É o que mostra levantamento feito a partir dos dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), consolidados até o dia 9 de setembro.

No período, o estado registrou 773 focos de calor. Feijó lidera isolada, com 236 focos, o equivalente a 30,5% de tudo o que foi detectado no Acre. Tarauacá aparece logo atrás, com 116 focos, ou 15% do total estadual. Somados, os dois municípios do Vale do Envira chegam a 352 registros — 45,5% do estado.

Capital fica em terceiro

Rio Branco, apesar de ser o município mais populoso, aparece apenas em terceiro lugar, com 68 focos, o correspondente a 8,8% do total. Na sequência vêm Sena Madureira, com 17 focos, e Manoel Urbano, com 16.

O ritmo de setembro reforça a concentração. Apenas nos nove primeiros dias do mês, o Acre somou 189 focos de calor — cerca de um quarto de todo o acumulado do ano em menos de dez dias. Desse total, 55 foram em Feijó, 25 em Tarauacá e 23 em Rio Branco. Ou seja, os dois municípios do interior responderam por 80 dos 189 registros, 42,3% do mês.

O pico recente foi em 28 de agosto, quando o estado registrou 125 focos em um único dia, dos quais 55 se concentraram em Feijó.

O que é um foco de calor

É importante entender o que o número significa. O foco de calor é um ponto de temperatura elevada identificado por satélite em uma área aproximada de 1 km por 1 km. Ele não corresponde, portanto, ao número de incêndios nem à área efetivamente queimada: um mesmo incêndio pode gerar vários focos, e vários incêndios pequenos e próximos podem ser contabilizados como um só.

Ainda assim, o indicador é o principal termômetro em tempo quase real do fogo na Amazônia e serve para orientar o direcionamento das equipes de fiscalização e de combate.

Período mais crítico do ano

O calendário ajuda a explicar os números. Setembro é historicamente o mês mais seco no Acre, com temperaturas altas, baixa umidade e pouca chuva — condições em que qualquer queima de limpeza de pasto ou de roçado pode escapar do controle e avançar sobre a vegetação vizinha.

Para quem vive em Tarauacá, o dado tem efeito direto na saúde e na rotina. A fumaça acumulada piora a qualidade do ar, agrava crises de asma, bronquite e rinite, e atinge com mais força crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas. Em anos de seca intensa, a fumaça também chega a prejudicar a visibilidade para pousos e decolagens.

Órgãos ambientais recomendam evitar qualquer uso do fogo no período, não queimar lixo em quintais, não descartar bitucas de cigarro em áreas de vegetação e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, ao perceber princípio de incêndio.

Com informações do Programa Queimadas/Inpe e do Portal Acre.