O deputado estadual Pedro Longo (MDB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para cobrar do governo do estado a instalação de um serviço de hemodiálise que atenda os pacientes renais crônicos de Tarauacá e Feijó.
Hoje, quem precisa do tratamento nos dois municípios não tem alternativa: é obrigado a se deslocar até Cruzeiro do Sul, pela BR-364, para fazer as sessões. O parlamentar classificou a situação como desumana.
Um tratamento que não admite falta
A hemodiálise é o procedimento que filtra o sangue de pacientes cujos rins perderam a capacidade de funcionar. Cada sessão dura cerca de quatro horas e precisa ser feita em dias alternados, normalmente três vezes por semana, sem interrupção. Não é um tratamento que possa ser adiado por causa de estrada ruim, chuva ou falta de transporte.
É justamente aí que está o problema apontado pelo deputado. Um paciente de Tarauacá que dependa da unidade de Cruzeiro do Sul precisa organizar a vida em torno da viagem, várias vezes por semana, em um trecho de rodovia que apresenta problemas recorrentes de trafegabilidade. Longo mencionou ainda as dificuldades na região de Abunã, agravadas por enchentes, como fator adicional de risco no deslocamento de pacientes pelo estado.
Apelo ao governo e à Sesacre
Na tribuna, o parlamentar dirigiu apelo direto ao Executivo estadual. “Quero deixar um apelo ao governo e à Sesacre para que encontrem um caminho o mais rapidamente possível”, afirmou.
Longo citou Brasileia como referência: no município do Alto Acre, o serviço de hemodiálise é prestado de forma terceirizada, modelo que, segundo ele, poderia ser estudado para atender a região de Tarauacá e Feijó. O deputado Tanízio também participou da discussão.
Por que a descentralização importa
A concentração dos serviços de alta complexidade em Rio Branco e Cruzeiro do Sul é um dos gargalos históricos da saúde no Acre. Para o paciente do interior, cada procedimento que só existe na capital ou no polo regional significa deslocamento, custo, afastamento da família e, muitas vezes, abandono do tratamento no meio do caminho.
No caso da doença renal crônica, o abandono não é uma opção: sem as sessões regulares, o quadro se agrava rapidamente e o desfecho pode ser fatal. Por isso, a instalação de unidades satélites em municípios de médio porte tem sido a saída adotada em outros estados da Amazônia, geralmente por meio de contrato com prestador privado ou de convênio com a rede filantrópica.
A cobrança foi dirigida à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), responsável pela pactuação dos serviços de média e alta complexidade no estado. Até a publicação desta reportagem, não havia previsão oficial de instalação do serviço em Tarauacá ou Feijó.
Com informações do ac24horas.
