Muita gente procura o CRAS querendo se inscrever no Bolsa Família e sai de lá com outro nome na cabeça: Cadastro Único. Não é burocracia à toa — o CadÚnico é a porta de entrada. Sem ele, não há acesso a mais de 40 programas sociais, federais, estaduais e municipais.
O que é o Cadastro Único
É o registro que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda que moram no Brasil. Nele ficam guardados dados sobre quem compõe a família, onde mora, quanto ganha, escolaridade, trabalho e condições da moradia. A base legal é o Decreto nº 11.016/2022.
A partir dessas informações, o poder público escolhe quem entra em cada programa. Por isso, um cadastro errado ou desatualizado pode custar um benefício.
Quem deve se cadastrar
A regra geral: famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Com o salário mínimo de R$ 1.621,00 fixado para 2026, isso equivale a cerca de R$ 810,50 por pessoa por mês.
Famílias com renda acima desse limite também podem ser cadastradas, mas só quando a inscrição estiver vinculada à seleção para um programa social específico, conforme prevê o próprio decreto.
Quais documentos levar
O cadastro é feito por um Responsável pela Unidade Familiar — preferencialmente uma mulher, maior de 16 anos, que mora na casa. Leve:
| Quem | Documentos |
|---|---|
| Responsável pela família | CPF (preferencial) ou Título de Eleitor; documento de identificação com foto; comprovante de residência, de preferência conta de luz. |
| Demais moradores | CPF, Título de Eleitor, Certidão de Nascimento ou Casamento, RG ou Carteira de Trabalho. |
Não tem comprovante de residência no próprio nome? A declaração assinada é aceita — pergunte no atendimento como fazer.
Onde fazer
O atendimento é presencial e gratuito, nos postos do Cadastro Único do município — geralmente o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Ninguém precisa pagar despachante, atravessador ou intermediário para se cadastrar. Se alguém cobrar por isso, é golpe.
Consultas e o pré-cadastro podem ser feitos pela internet, em cadunico.dataprev.gov.br, mas a entrevista de inclusão continua sendo presencial.
De quanto em quanto tempo atualizar
A atualização cadastral é obrigatória a cada dois anos, contados da inclusão ou da última atualização — está no artigo 12 do Decreto nº 11.016/2022.
Mas não espere os dois anos completarem. É preciso procurar o CRAS sempre que houver:
- nascimento, morte ou saída de alguém da casa;
- mudança de endereço;
- mudança de renda, para mais ou para menos;
- mudança de escola ou situação escolar das crianças e adolescentes.
Cadastro desatualizado há mais de 24 meses é uma das principais causas de bloqueio de benefício.
Que programas dependem do CadÚnico
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Tarifa Social de Energia Elétrica;
- programas de habitação, como o Minha Casa Minha Vida;
- ID Jovem e Carteira do Idoso;
- isenção de taxa de inscrição em concursos públicos.
São mais de 40 programas no total, somando as esferas federal, estadual e municipal.
Como consultar seus dados
O aplicativo Cadastro Único, gratuito para Android e iPhone, e a versão web em cadunico.dataprev.gov.br permitem duas formas de consulta:
- Consulta simples, sem login: basta informar nome completo, data de nascimento, nome da mãe e o município/UF, exatamente como estão no cadastro;
- Consulta ao formulário, com conta gov.br: mostra o cadastro completo.
Pelo aplicativo é possível ver o NIS, o código familiar, a situação do cadastro, a data da última atualização, os dados de todos os integrantes e emitir o Comprovante de Cadastro. Dúvidas também são atendidas pelo 121, gratuito de fixo e celular.
Um lembrete sobre valores
O limite de renda do CadÚnico acompanha o salário mínimo e muda todo ano. Os valores citados aqui são os vigentes em setembro de 2026.
Fontes: Decreto nº 11.016/2022; Decreto nº 12.797/2025 (salário mínimo de 2026); páginas oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e do portal gov.br sobre o Cadastro Único.
